O Acampamento de Israel em Gilgal

UM ESTUDO EM JOSUÉ CAP. 5

Introdução: A campanha de Israel para a conquista de Canaã estava baseada em estratégias dada pelo próprio Deus. De forma alguma Josué, mesmo sendo o capitão designado e ungido pelo Senhor, poderia traçar a sua próprio estratégia. Deus já havia dado as diretrizes e sempre que precisava falava diretamente ao homem de Deus. Nos primeiros anos de ocupação da terra prometida pelo povo de Israel, três cidades conquistadas pelos hebreus alcançaram importância muito especial: Siquém (que foi o centro político), Siló (que se tornou o centro religioso e local de culto) e Gilgal (que veio a se tornar o centro de operações militares e de estratégias de guerra). Se fizermos uma aplicação espiritual veremos que estas cidades têm grande simbolismo para a Igreja hoje.Siquém fala da nossa vida de cidadão do céu, nosso lugar e tarefa no Reino de Deus; Siló recorda a nossa vocação, o sacerdócio universal dos crentes, a ordem imperativa de prestarmos um culto ao Senhor e Gilgal (hebraico –círculo) simboliza a nossa necessidade de uma preparação espiritual frente à jornada rumo ao céu e face aos grandes desafios e conquistas das nossas vidas enquanto servos de Deus e Igreja de Cristo. Neste nosso primeiro estudo do ano eu gostaria de compartilhar com a Igreja e com os nossos líderes para a nossa edificação espiritual, as profundas e significativas lições do acampamento de Israel em Gilgal.


1. QUE FEZ JOSUÉ EM GILGAL? Js 5.1-7

· Ele reorganizou suas forças. Uma estratégia de guerra deve prever momentos de descanso e reflexão. Quem avança deve sempre avaliar a jornada, a caminhada e os riscos do caminho. O excesso de confiança pode ser um grande problema, uma vez que faz a pessoa desconsiderar as possibilidades de ataques e dificuldades. Apesar de terem vivido alguns grandes milagres, uma vez que eles já tinham passado o Jordão, estavam na terra que Deus prometera, a batalha mais difícil e decisiva que era Jericó estava à frente, ainda não acontecera.

· Ele reabasteceu seus suprimentos. Para avançar sobre Jericó era preciso checar as condições da tropa, a situação do povo; era preciso ver o abastecimento de suprimentos. Ainda que a queda dos muros de Jericó seria um ato exclusivo do poder de Deus, eles precisavam estar abastecidos e fortalecidos fisicamente para a grande caminhada até próximo aos muros e estarem alimentados para dar as voltas em torno do muro. E, ainda, ter pulmões para gritar quando a ordem dada por Deus fizesse os muros da cidade cair.

· Ele renovou com Deus o pacto da circuncisão. A geração incrédula não entrou em Canaã. O próprio Deus havia jurado que os desobedientes não entrariam na terra prometida. Até o próprio Moisés, apesar de ter sido um profeta com total comunhão com Deus, por causa da desobediência também ficou de fora. Temos que ter muito cuidado, pois as promessas do Senhor podem ser negativas (“O Senhor tinha jurado”). A renovação do pacto e da aliança com Deus vinha acompanhada de um sinal físico, neste caso a circuncisão de todos os homens (todo o sexo masculino). Aquela nova geração apesar de ter sido abençoada ainda não tinha parte na aliança do Senhor, eram o “novo Israel”. Os homens que foram circuncidados estavam demonstrando, também, que espiritualmente o coração estava em Deus (Dt 10.16; 30.6).

2. FATOS IMPORTANTES ACONTECIDOS EM GILGAL

· Josué erigiu o monumento das 12 pedras retiradas do Jordão (Js 4.20). A coluna levantada com as 12 pedras tirados do Jordão seria Memorial para as gerações futuras. Sempre que um dos filhos de Israel perguntasse aos seus pais o significado daquelas pedras, a resposta deveria ser o relato do fato de como Deus com mão poderosa havia feito Israel passar o Jordão em seco e que isto fora mais um sinal da Fidelidade de Deus e do Seu amor para com o Seu povo (Js 4.20-24).

· A primeira celebração da Páscoa em Canaã, (Js 5.10). A celebração da Páscoa em Gilgal:
a) Foi um fato marcante para o povo
b) Fala da soberania de Deus em tirar Israel do Egito – Um Santo Memorial Perpétuo
c) Fala do Cordeiro para a redenção
d) Fala da justiça de Deus
e) Fala da Fidelidade de Deus que disse “vendo o sangue, passarei por vós”.

· O povo se alimentou de trigo da terra depois de 40 anos comendo maná.

3. QUE TIPO DE LUGAR ERA GILGAL PARA ISRAEL?

· Um lugar de recordações (por causa do Monumento erigido com 12 pedras).
· Um lugar de santidade porque o opróbrio do povo foi removido (cessaram as rebeliões, as murmurações, os problemas da travessia no deserto).
· Um lugar de renúncia e obediência porque os homens tiveram que se submeter ao rito da circuncisão.
· Um lugar de alimento porque ali encontraram trigo, alimento totalmente desconhecido para eles.
· Um lugar de restauração por causa da celebração da páscoa.

4. AS GRANDES LIÇÕES DE GILGAL PARA A IGREJA DE CRISTO

· Gilgal simboliza nossa ressurreição espiritual porque havendo passado o nosso Jordão,renascemos em Cristo para vivermos assentados em lugares altos, nas regiões celestes. Temos uma nova vida dada por Deus e devemos viver em novidade de vida sempre
· Gilgal é o símbolo de nossa responsabilidade espiritual. Mesmo com todas as bênçãos de Gilgal, bem em frente a Israel havia ainda exércitos inimigos. Devemos estar preparados para lutas da nossa jornada espiritual “prepara uma mesa para mim perante os meus inimigos” (Sl 23.5)
· Gilgal é o símbolo de nossa vitória espiritual alcançada no simbolismo da circuncisão dos homens porque:
a) A circuncisão física de Israel tipifica a circuncisão espiritual da Igreja.
b) A circuncisão era um ato legal, experimental e de efeito espiritual (fé e obediência).
c) Com a circuncisão, Deus estava querendo que o povo aprendesse que a carne não deveria tomar parte das bênçãos de Canaã, uma conquista de fé, um cumprimento das fiéis promessa do Senhor. O objeto cortante para retirada do prepúcio lembra a Palavra de Deus sem a qual nenhuma obediência tem significado algum para o Todo-poderoso (Hb 4.12).

· Gilgal é símbolo de nossa renovação espiritual. A Primeira Ceia foi celebrada depois da última Páscoa. Havia um sopro de renovação na mente dos discípulos quando participaram da Ceia do Senhor
· Gilgal é também símbolo do nosso alimento espiritual. Deus quer que estejamos alimentados e fortalecidos. Quem pode ir à guerra sem estar devidamente alimentado? Em Gilgal, Deus ofereceu alimento ao Seu Povo. Depois de peregrinar 40 anos comendo o maná, O povo de Israel desejava comer trigo. O maná simboliza Cristo em sua humilhação; o trigo fala de Cristo em sua Glória.

5. A PRESENÇA DO SENHOR EM GILGAL – (Js 5.13-15)
· A presença do Anjo do Senhor testifica a presença de Deus em nossas vidas. Israel não estaria sozinho na luta contra os cananeus, o Senhor se faria presente. Da mesma forma a Igreja do Senhor tem o Espírito Santo, Aquele que foi chamado para nos ajudar em todas as nossas lutas e dificuldades desta vida.
· O Anjo do Senhor estava com uma “espada nua” (desembainhada), pronto para pelejar. Josué quis saber se ele era um dos seus ou dos adversários. A resposta foi não para as duas alternativas. Não era inimigo nem estava sob o comando de Josué. Era um príncipe do Exército do Senhor e havia acabado de chegar. As lutas, os desafios e as vitórias são sempre de Deus. Não podemos militar em causa própria nem achar que Deus estará ao nosso lado sempre que desejarmos. Tudo nesta vida é para a glória de Deus. O compromisso do Senhor é sempre com a Sua Palavra, na Fidelidade das Suas Santas Promessas.
· Ao saber que era um Príncipe do Senhor, Josué se prostrou e adorou, demonstrando temor e tremor na presença do Senhor. Pelo fato do Anjo ter aceitado a adoração entendemos que era uma Cristofania (aparição de Cristo pré-encarnado). Mesmo estando à frente do exército que iria avançar sobre Jericó, Josué perguntou ao Anjo do Senhor qual era ordem e se colocou numa posição de submissão e obediência (v.14).
· O anjo do Senhor não mudou a estratégia de guerra, nem falou contra tudo que Josué já ouvira de Deus. Mas ordenou que Ele tirasse as sandálias dos pés, da mesma forma que já ocorrera com Moisés (Ex 3.5). A santidade é fundamentalmente uma qualidade de Deus. Pessoas e coisas são chamadas de “santas” quando pertencem a Deus.

Conclusão: Quem pode ir à guerra sem estar devidamente alimentado? Em Gilgal, Deus ofereceu alimento ao Seu Povo. Que possamos nós colocar em prática as preciosas lições deste Acampamento em Gilgal, para avançar sobre a nossa Jericó e ver com alegria e triunfo o Senhor derrubar os muros e nos conceder a vitória. Mas antes de Jericó, é precisar passar por Gilgal, reabastecer os suprimentos, renovar a força, renovar a aliança, comer do trigo, celebrar a páscoa e ter um encontro com o Anjo do Senhor pronto para a guerra. VOCÊ JÁ ESTEVE EM GILGAL?

1 comentários:

Sônia disse...

Excelente artigo! Esperei muito para entrar em Gilgal, é uma sensação de outro mundo saber que o opróbrio do Egito finalmente dará o seu adeus e mais, experimentar o sobrenatural de Deus ao comer o trigo, que pra mim é parte das novidades da Terra Prometida. Foram longos anos para atravessar e chegar a Gilgal, eu louvo a Deus por conceder esta autorização e dar a oportunidade de um refinamento através de obediência completa e submissão a sua vontade! Obrigada pelo artigo, ajudou a esclarecer ainda mais o que estou para viver.

Postar um comentário