ESTUDO: “Então os filhos de Israel... não pediram conselho ao Senhor”: O ESTRATAGEMA DOS GIBEONITAS


Um estudo em Josué 9.1-27

INTRODUÇÃO: Quando Deus ordenou ao povo de Israel que ocupasse a terra de Canaã prometida aos patriarcas sob juramento do próprio Deus, ordenou também a forma como deveriam lidar com os cananeus. Eles deveriam ser destruídos. Mas o texto que acabamos de ler nos fala de um estratagema astucioso que levou Israel a tomar uma decisão precipitada e assim não cumprir a ordem dada pelo Senhor. Astuciosamente, os gibeonitas enganaram Josué com fingimento e falsidade. Josué fez aliança com o inimigo pensando estar tomando uma decisão sábia. A situação parecia tão óbvia que ele nem chegou a consultar a Deus. Há muitos líderes e igrejas fazendo aliança com satanás por causa as sutileza do engano e da malícia. Os desejos perversos do coração e a fala de temor e tremor por parte de muitos têm levado muitos evangélicos a viver uma perigosa aliança de conformidade com o mundo.
I. A PROPOSTA E A CILADA – v. 6
Os gibeonitas propuseram a Josué uma aliança imediata e urgente. Mas quem eram os gibeonitas? Aliados ou inimigos? Eles faziam parte dos povos que precisavam ser desalojados da terra prometida. .Deus ordenara a Josué claramente: “Abstém-te de fazer aliança com os moradores da terra para onde vais; para que te não sejam por cilada” (Ex 34.12). As razões porque a aliança com os povos vizinhos era uma cilada para Israel:
a) Haveria casamentos mistos, algo condenado por Deus, Dt 7.3. O casamento misto foi uma das estratégias mais sutis usadas para derrotar o povo de Deus. O dilúvio varreu a terra porque a terra corrompeu-se quando os filhos de Deus se casaram com as filhas dos homens. Israel se misturou com as nações idólatras e através de casamentos mistos e acabou adorando deuses estranhos. A associação com incrédulos é algo que Deus condena,Am 3.3,2Co 6.14-16.São inúmeros os casos de pessoas que hoje estão desviadas porque se casaram com pessoas descrentes.
b) Haveria indução à apostasia e ao ecumenismo, Dt 7.3. A aliança com os povos vizinhos levou Israel muitas vezes a servir a outros deuses. Muitos abandonam sua fidelidade a Deus, deixam de frequentar a igreja, esfriam-se na fé e perdem a comunhão com Deus por causa de determinadas alianças firmadas. O ecumenismo e a mistura com o mundo ainda hoje um dos perigos mais graves que a igreja enfrenta. Não há unidade fora da verdade. Não há salvação fora de Cristo. O mundo está dentro da Igreja e práticas mundanas estão tendo lugar dentro do santuário.
c) Haveria sofrimento e perturbação, Nm 33.55,56. Uma aliança conjugal, comercial, empresarial, espiritual fora da vontade de Deus traz desconforto e perturbação. Israel sofreu por causa dessas alianças.
d) Levaria Israel própria destruição por causa do juízo de Deus, Dt 7.4. A desobediência tem um preço alto. Ela provoca a ira de Deus e produz derrota e destruição. O povo de Israel sofreu e precisou ser arrancado da sua terra e lançado num cativeiro doloroso para abandonar suas alianças espúrias e desvencilhar-se da idolatria dos outros povos.

II. A ESTRATÉGIA MALIGNA PARA FAZER UMA ALIANÇA PROIBIDA
Os povos de Canaã, os mais numerosos e poderosos que estavam no caminho de Israel lutaram e resistiram a Josué e o povo de Deus com armas de guerra (Js 9.1,2), mas os Gibeonitas usaram outras armas muito mais perigosas em seus efeitos destrutivos: a dissimulação, o engano, a mentira, a pressão, a astúcia Js 9.3-13.
a) A dissimulação, v. 4,5. Dissimular ou fingir é ser uma coisa e parecer outra. É ser uma pessoa e demonstrar outra. É aparentar uma coisa e ser outra. Os gibeonitas foram atores. Demonstraram um papel, mas estavam enganando. Satanás disfarçou-se de serpente para tentar Eva no Éden. Ele veio com palavras doces, com promessas sedutoras, oferecendo vantagens extraordinárias. O diabo é um embusteiro. Ele promete vida e paga com a morte. O pecado é uma fraude.
b) A mentira, v. 6. Uma das armas do inimigo é a mentira. O diabo enganou Eva no Éden com uma mentira: “É assim, que Deus disse? É certo que não morrereis”. Onde a verdade é sacrificada, a aliança torna-se espúria. O diabo é o pai da mentira. Quem se envolve com mentira põe o pé numa estrada de vergonha, de opróbrio, de escravidão e morte.
c) A pressão, v. 6. A pressa é um grande perigo quando se trata de fazer uma aliança. A impaciência é um caminho arriscado. Os gibeonitas tinham pressa. Eles não queriam dar tempo para Josué investigar a verdade. Josué caiu na cilada ao firmar com os gibeonitas uma aliança sem tempo para investigar, sem tempo para consultar ao Senhor. Muitos ainda agem precipitadamente hoje em seus negócios, em seus investimentos, no namoro e até mesmo no casamento.
d) A astúcia, v.3, 7, 8,9. Quando os gibeonitas perceberam que os homens de Israel estavam lhes desmascarando, se voltaram para Josué para conversar só com ele, o líder e o induziram a agir sem o consenso.Os gibeonitas relataram os grandes feitos de Deus no Egito, e aos dois reis amorreus que Moisés derrotara, mas não fizeram menção de Jericó e Ai, para dar a ideia que de fato vinham de muito longe.Cuidado com o engano do pecado. Devemos ter muito cuidado com os argumentos de satanás e seus demônios.
e) As respostas evasivas e a aparência de piedade, v. 8-13, À primeira pergunta, eles não responderam. À segunda pergunta, eles mentiram. Eles tergiversaram, desconversaram, ludibriaram. As coisas de Deus são claras, são íntegras. Onde as pessoas precisam desconversar esconder, tapear fica evidentemente que Deus não está presente. Josué deu valor ao que eles disseram sem consultar a Deus. Usaram o nome de Deus, sem estar interessados nele. Somos facilmente enganados quando as pessoas vêm usando o nome de Deus. Muitos homens e mulheres quando querem conseguiram alguma coisa dentro da Igreja (cargos e pessoas) se interessam pelas coisas de Deus, frequentam a igreja e até leem a Bíblia. Mas depois que conseguem o que queriam, revelam seu total desinteresse pelas coisas de Deus.

III.  FAZER UMA ALIANÇA SEM CONSULTAR A DEUS NAS COISAS QUE PARECEM ÓBVIAS É MUITO PERIGOSO– V. 14,15.
Deus sempre precisa estar presente em todas as nossas decisões. Josué  errou quando não considerou que não existe distinção entre coisas importantes que carecem de oração e coisas insignificantes, óbvias que não precisa consultar a Deus. A nossa lógica e bom senso levam-nos facilmente para o mau caminho, quando deixamos de depender de Deus. A sabedoria humana é fraca e se deixa levar por aquilo que é aparente ou pelas conveniências humanas. Há sempre o perigo da autoconfiança: “O que confia no seu próprio coração é insensato” (Pv 28.26).
Gibeão quer dizer pequeno monte e nos alerta contra as pequenas coisas que nos impedem de andar com Deus. Sansão, o homem mais forte do VT foi vencido por uma mulher cujo nome significa fraqueza (Dalila). As pequenas coisas podem nos impedir de viver uma vida cristã normal. Josué fez aliança com os gibeonitas de poupar-lhes a vida sem consultar a Deus. Ficou preso a uma aliança que jamais deveria ter feito. Sofreu sem poder tirar o jugo de sobre si e do seu povo.

IV. UMA ALIANÇA PRECIPITADA TRAZ SÉRIAS CONSEQUENCIAS
Quantas sociedades que jamais deveriam ter sido firmadas! Quantos acordos que jamais deveriam ter sido assinados! Quantos namoros que jamais deveriam ter começado! Quantos casamentos que jamais deveriam ter sido consumados! Muitos buscam a saída do divórcio, dizendo: “Meu casamento acabou porque não foi Deus quem me uniu”. Se você não leva a sério a aliança que você fez, Deus leva Ml 2.13,14. A aliança precipitada:
a) Causa descontentamento e murmuração no meio do povo de Deus – v. 18. Decisões precipitadas acarretam amargas consequências. Alianças irrefletidas fazem o povo sofrer. Quando a liderança age sem oração, há um descontentamento no meio do povo. Josué e os príncipes da congregação fizeram uma aliança com os gibeonitas sem consultar a Deus e tomaram a decisão errada e agora o povo está sofrendo as consequências e murmurando.
b) O povo de Deus não deve se envolver com lutas a favor daqueles contra quem deviam lutar – Js 10.6,7. Josué está travando uma batalha que não era sua. Está drenando suas energias num trabalho que não era seu. Eles estão pagando o preço de terem feito uma decisão apressada, uma aliança irrefletida. Eles estão defendendo quem precisariam desalojar daquela terra.
c) O povo de Deus é açoitado com a ira divina quando viola a aliança feita, mesmo que irrefletidamente – v. 20. A quebra de uma aliança é algo que Deus reprova. É melhor não fazer um voto do que votar e não cumprir. Josué e o povo ficaram presos a uma aliança que não deveriam ter feito. Tornaram-se obrigados a defender quem deveriam atacar. Ficaram ligados com quem não deveriam ter relações. A quebra daquela aliança era agora uma atitude mais condenável aos olhos de Deus do que o estabelecimento da própria aliança. O rompimento da aliança implicava na manifestação da própria ira de Deus.
d) O tempo não anula as alianças que fazemos, mesmo quando não consultamos o Senhor – 2 Sm 21.1-14. Muitos séculos depois da aliança firmada por Josué, o rei Saul matou os gibeonitas e nos dias do rei Davi houve fome de três anos consecutivos por causa da quebra dessa aliança, 2Sm 21.1,2.Com a quebra dessa aliança: Em primeiro lugar, três anos de fome e em segundo lugar, sete filhos do rei Saul enforcados. Só então, a ira de Deus se apartou de Israel.

CONCLUSÃO: Tenha cuidado com as alianças que você faz, com aquilo que você promete. Não entre numa aliança seja sentimental, seja conjugal, seja comercial, seja profissional sem antes avaliar profundamente as implicações. Há pactos que jamais deveriam ter sido feitos. Há casamentos que jamais deveriam ter acontecido. Há parcerias que jamais deveriam ser travadas. Há sociedades que jamais deveriam ter sido estabelecidas. Quando fazemos alianças perigosas e precipitadas, podemos entrar em aliança com o próprio inimigo. Quantas pessoas presas a situações embaraçosas porque não tiveram paciência de esperar, de analisar a situação mais detidamente. Quantas pessoas se desgastam e sofrem grandes prejuízos porque não consultaram a Deus para fazer sociedades, alianças e acordos. Cumpra suas promessas, quando você as fizer. Nossas decisões hoje afetarão as futuras gerações, para o bem ou para o mal. Cuidado com os votos tolos. Quando você fizer uma promessa, cumpre-a. O justo é aquele que jura com dano próprio e não se retrata. O Senhor nos guarde dos estratagemas de satanás.

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