ESTUDO BÍBLICO:O PODER DA ORAÇÃO E DA INTERCESSÃO:


UM ESTUDO EM EFÉSIOS 1:15-23

 
INTRODUÇÃO: A oração sincera e plena de fé contém nossa escala de valores. Quando oramos, revelamos aquilo que consideramos prioridade em nossas vidas, nosso senso de valores quer espirituais ou não. A oração revela o nosso íntimo, traduz a intensidade de nossa comunhão com Deus e é o espelho do homem interior. Neste texto que lemos temos uma oração do apóstolo Paulo, na qual ele pede para Deus abrir o nosso entendimento, para sabermos quão ricos nós somos. É uma oração intercessória, onde Ele menciona as bênçãos que deseja que os crentes conheçam. Em nenhum momento, Paulo pede bênçãos materiais. Ele não pede o que não temos, mas pede que Deus abra os olhos do nosso coração para sabermos o que já temos. Neste estudo, tomo as palavras de Paulo como minhas e convido a todos para que possamos aprender e viver o poder da intercessão a favor da Igreja do Senhor Jesus. Neste estudo vamos considerar que quando nós nos ocupamos do Reino de Deus, as demais coisas (vida material e afetiva, por exemplo) tornam-se objetos de prioridade absoluta de Deus.
1. UMA ORAÇÃO PARA QUE A IGREJA TENHA DISCERNIMENTO ESPIRITUAL
·  Espírito de sabedoria – v. 17 – A mente natural não consegue discernir as coisas espirituais. Não podemos viver só vendo com os olhos da carne. Precisamos de olhos espirituais. Sabedoria é olhar para a vida com os olhos de Deus. É ver a vida como Deus a vê.
·   Espírito de revelação – Só o Espírito de Deus pode abrir as cortinas da nossa alma para entendermos as riquezas de Deus. Vemos um evangelho estranho em muitas Igrejas onde você é convidado a barganhar com Deus e muitas vezes ao invés de falar com Deus está falando com ministros de satanás, homens e mulheres que jamais tiveram sequer a revelação da graça de Deus.  Adivinhação não é revelação; ver o diabo em tudo não pode ser sabedoria. Se pertencemos ao Senhor, a revelação só pode ser dos Seus desígnios e propósitos e tudo isso para a Sua glória.

2. UMA ORAÇÃO PARA QUE A IGREJA CONHEÇA A DEUS PLENAMENTE
·  Uma coisa é conhecer a respeito de Deus; outra bem diferente é conhecer Deus. O ateu diz que não há Deus para se conhecer. O agnóstico, diz que se há Deus, ele não pode ser conhecido. Mas Paulo encontrou Deus na pessoa de Jesus e entendeu que o homem não pode conhecer nem a si mesmo sem o verdadeiro conhecimento de Deus.
·   O conhecimento de Deus é a própria essência da vida eterna. Conhecer a Deus pessoalmente é salvação (João 17:3). Conhecer a Deus progressivamente é santificação (Os 6:3). Conhecê-lo perfeitamente é glorificação (1 Co 13:9-12).Ao orar, Paulo fez menção dos privilégios que os crentes em Jesus têm na pessoa de Cristo. Além de mencionar o chamamento, ele fala da herança e do poder de Deus.
3. UMA ORAÇÃO FIRMADA NA ESPERANÇA DO CHAMAMENTO DE DEUS – V. 18
.  O mundo antigo era um mundo sem esperança (2:12). Para os crentes, contudo, o futuro era glorioso, pois Deus Pai nos escolheu e nos adotou; Deus Filho nos redimiu e nos perdoou e o Deus Espírito Santo nos selou e nos deu o Seu penhor. Essa é a esperança viva, real e imutável.
·   Paulo orou para que a igreja viesse a conhecer essa gloriosa esperança, viesse experimentar essa esperança e finalmente, pudesse usufruir tudo aquilo que ela tem em Cristo. Deus nos chamou para Cristo e para a santidade; nos chamou para a liberdade e para a paz e nos chamou também para o sofrimento e para a glória.
4. UMA ORAÇÃO LEGÍTIMA POR CAUSA DA HERANÇA DE DEUS – V. 18
·  Nós somos a herança de Deus. Aqui não se fala da herança que Deus outorga, mas a herança que Deus recebe. Esta frase não se refere à nossa herança em Cristo (1:11), mas Sua herança em nós. Deus olha para nós e vê em nós sua gloriosa riqueza, a sua preciosa herança. Jesus viu o fruto do seu penoso trabalho e ficou satisfeito (Is 53).
·  Paulo orou para que os crentes possam entender o quão preciosos somos para Deus. Somos a igreja que Deus comprou com o sangue do Seu Filho. Somos a noiva do Filho de Deus, a Sua porção eterna.
·  Se o chamamento aponta para o passado, a herança aponta para o futuro. Nós somos a riqueza de Deus. Nós somos o presente de Deus. Nós somos o tesouro de Deus. A menina dos olhos de Deus, a delícia de Deus. Somos filhos, herdeiros, co-herdeiros, santuários, ovelhas. Somos o Seu Povo.
5. UMA ORAÇÃO ATENDIDA POR CAUSA DO PODER DE DEUS – v. 29-23
·  Se o chamamento de Deus olha para o passado e a herança olha para o futuro, o poder de Deus olha para o presente. Paulo enfatizou o poder de Deus, usando quatro palavras distintas para o poder, v. 19:
a) dunamis – traz a ideia de uma dinamite, um poder irresistível;
b) energeia – o poder que trabalha como uma energia;
c) kratos – poder ou força exercida;
d) ischus – poder, grande força inerente. Paulo fez uso dessas quatro palavras para enfatizar a plenitude e certeza deste poder. Esse poder é tão tremendo que é o mesmo poder que Deus o exerceu para ressuscitar o Seu Filho.
·    O poder de Deus que está à nossa disposição é visto em três eventos sucessivos: a ressurreição de Cristo (v. 20a); a ascensão e entronização de Cristo (v. 20b, 21); o senhorio de Cristo sobre a igreja e o universo (v. 22,23).
·   A medida do poder de Deus – v. 19b. Algo de superlativo desse poder é ressaltado pelo notável acúmulo de termos: “suprema grandeza do Seu poder”, “eficácia”, “força”, “poder”. Essa abundância de palavras sugere a idéia de poder cuja simples expressão exaure os recursos da linguagem e chega a desafiar a enumeração.
·   A suprema demonstração do poder de Deus – v. 20-23.O poder que atua nos crentes é o poder da ressurreição. É o poder que ressuscitou a Cristo dentre os mortos, e o assentou à direita de Deus, e lhe deu a soberania sobre o universo inteiro. Esse poder é como um caudal impetuoso que arrasta com a sua força os obstáculos que encontra pelo caminho.
·    Ao falar a Deus Pai em nome de Cristo, Paulo apresentou três afirmações a respeito do que Deus tem feito em Cristo que nos dá a certeza do seu poder em nós para uma vida vitoriosa:
1.      A ressurreição e exaltação de Cristo (v.20,21).A ressurreição autenticou o ministério do Senhor, selou a Sua obra de redenção, marcou o começo da Sua glorificação, e foi a confirmação pública de que o Pai aceitou o seu sacrifício. Depois de haver ressuscitado a Cristo dentre os mortos, Deus manifestou o seu poder fazendo-o assentar-se “à sua direita” (v. 20,21). A “direita” de Deus é uma figura de linguagem indicando o lugar de supremo privilégio e autoridade. A mais alta honra e autoridade no universo foi tributada a Cristo (Mt 28:18). Ele foi entronizado acima de todo o principado e postestade (1:21).
2.      O domínio universal de Cristo (1:22).A exaltação de Cristo abrange o soberano domínio sobre toda a criação. Todas as coisas estão sujeitas a Cristo. Todo o joelho se dobrará diante dele no céu, na terra e debaixo da terra (Fp 2:9-11). Tanto a igreja como o universo têm em Cristo o mesmo cabeça. Todas as coisas estão debaixo dos seus pés – significa que tudo está sujeito e subordinado a ele. As palavras implicam absoluta sujeição. 
3.      A preeminência de Cristo sobre a igreja (1:22, 23). Deus estabeleceu uma relação singular entre Cristo e a igreja. Cristo é o grande dom de Deus à Igreja. Cristo como Cabeça da Igreja compreende três coisas: a) Cristo tem autoridade suprema sobre a igreja – Ele a governa, guia e dirige; b) Entre Cristo e a Igreja existe uma união vital – Uma união tão real como é a da cabeça com o corpo. É uma união indissolúvel; c) A igreja é inteiramente dependente de Cristo - De Cristo a Igreja deriva a sua vida, o seu poder, e tudo quanto é necessário à sua existência. A igreja é a plenitude de Cristo. A igreja está cheia da sua presença, animada pela sua vida, cheia com os seus dons, poder e graça. A igreja é o prolongamento da encarnação de Cristo. A igreja é o seu corpo em ação na terra. A igreja está cheia da própria Trindade: Filho (1:23); Pai (3:19); Espírito Santo (5:18).
CONCLUSÃO: À luz da Palavra de Deus, gostaria de sugerir que você faça uma  nova reflexão espiritual; dê um novo rumo à sua vida de comunhão com Deus. Seja um intercessor a favor da Igreja do Senhor e você verá a diferença nas bênçãos na sua vida e na sua família.
·         Como você avalia a sua vida espiritual? Você tem usufruído as riquezas que tem em Cristo?
·         Você tem crescido no relacionamento de comunhão com Deus? Você conhece mais a Deus?
·         Você compreende a esperança do seu chamado: de onde Deus o chamou, para que Deus o chamou e para onde Deus o chamou?
·         Você compreende o quão valioso você é para Deus?
·         Você tem experimentado de forma prática o poder da ressurreição na sua vida?
Que o Senhor nos guarde e preserve nossas vidas. Que possamos nós sermos intercessores segundo o modelo bíblico para que as nossas orações a favor da Igreja e dos nossos irmãos sejam sempre uma expressão humildade da maravilhosa graça de Deus e a manifestação clara e firme do Seu poder em nossas vidas. Amém.

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