ESTUDO BÍBLICO: “CONTRA JACÓ NÃO VALE ENCANTAMENTO NEM ADIVINHAÇÃO CONTRA ISRAEL”:


Um estudo do caso de Balaão
Texto Bíblico: Nm Caps 22,23, 24 e 25; 2 Pe 2.14-16 

Introdução: Rebelião é feitiçaria. Os efeitos deste princípio oculto da iniquidade são óbvios em nossa sociedade e em muitas Igrejas, embora entre os evangélicos sejam mais sutis. Neste estudo estaremos aprendendo como a feitiçaria pode agir na vida de um crente desobediente e rebelde, através da história de Balaão. Não conseguindo amaldiçoar o povo de Deus ele resolveu, usando a desobediência dos israelitas às ordens do Senhor, semear a rebelião e contenda através da prostituição e culto aos ídolos.

 1.UMA MALDIÇÃO NEGADA
Primeiramente vamos olhar para Israel. Durante a jornada no deserto, o povo de Deus se acampou nas planícies de Moabe. Eles vinham de uma grande vitória: haviam atacado e vencido Basã e haviam, também, destruídos os amorreus quando estes se recusaram a lhes deixar passar pelo seu território


Quando os israelitas se acamparam nas planícies de Moabe, Balaque e o povo que ele liderava (moabitas e midianitas) ficaram aterrorizados. O Senhor tinha prometido isto aos filhos de Israel: “Enviarei o meu terror adiante de ti, pondo em confusão todo o povo cuja terra entrares”, Ex 23.27. Eles sabiam que os israelitas haviam conquistado todas as nações que se lhes opuseram e destruído totalmente a nação mais poderosa da época, o Egito.

O rei Balaque enviou embaixadores ao profeta Balaão pedindo ajuda. Ele era conhecido por ser um homem de visões e revelações espirituais. O rei sabia que as profecias de Balaque se cumpriam. Se ele abençoasse, eles seriam abençoados; se ele amaldiçoasse, seriam amaldiçoados. A princípio Balaão consultou ao Senhor se devia ou não amaldiçoar o povo “que havia saído do Egito”. Uma ordem clara foi dada pelo próprio Deus ao profeta proibindo-o de ir com a comitiva de Balaque e de amaldiçoar Israel “porque era um povo abençoado”, Nm 22.8-12.

Mas após ter recebido dois grupos de embaixadores vindos de Balaque, Balaão de novo consultou ao Senhor que, desta vez, o permitiu acompanhar a comitiva com a condição de só falar o que Deus lhe dissesse. A oferta do Rei de honra e dinheiro era tentadora e o convenceu a ir com eles.

No meio do Caminho, no entanto, irou-se o Senhor contra ele por ele ter aceitado o convite. Não devemos insistir com Deus para que mude Sua decisão. As consequências podem ser desastrosas. Na verdade, Balaão tornou a falar com Deus por causa do dinheiro e da honra que o rei Balaque havia prometido a ele. Ele não queria fazer a vontade de Deus; a insistência acontecia por causa da ganância.

O episódio envolvendo a jumenta é muito interessante. O animal viu o Anjo do Senhor com a espada desembainhada e tentou desviar diversas vezes do caminho por causa disso. A cada desvio , no entanto, o profeta espancava a jumenta. Ironicamente o Senhor fez com que a jumenta falasse contestando os maus tratos sofridos. Cego pela ganância só então Balaão viu que a jumenta se desviava do Anjo do Senhor com a espada desembainhada. Mais uma vez Deus o advertiu quando aos perigos da sua jornada desobediente, porque o próprio Deus se colocou como adversário do profeta justificando isto pelo de fato de “o teu caminho é perverso diante de mim”, Nm 22.32.

Arrependido Balaão desejou voltar, mas Deus já havia decidido usar o profeta mercenário e desobediente para abençoar o seu povo. O profeta esperava que Deus fizesse alguma coisa para impedi-lo, mas o Senhor já sabia qual seria o caminho de Balaão e não se importava mais com o seu destino. Quantas pessoas agem de acordo com seus desejos na esperança que Deus os impeça de fazer algo e quando isto não acontece se perguntam: “mas por que Deus me deixou fazer isso ?”

Quando Balaão abriu a boca para amaldiçoar Israel, Deus mudou suas palavras e ao invés disso, palavras de bênção saíram de sua boca. Na primeira vez que abriu a boca, Balaão se perguntou se alguém poderia amaldiçoar o que Deus abençoou”. Na segunda vez que tentou amaldiçoar o povo de Deus, Balão não só abençoou como declarou uma profunda verdade: “contra Jacó não vale encantamento, nem adivinhação contra Israel”.

2. SEDUÇÃO E DESOBEDIÊNCIA

Balaão sabia que era impossível amaldiçoar os israelitas. Não havia nada que fizesse com que a maldição pegasse. Israel era um povo abençoado por Deus. Vejamos Dt 23.4-5 O mesmo é verdade para nós. Balaão tinha um problema sério: era ganancioso e queria a recompensa prometida, que era muita riqueza e honra. Para evitar perder tudo aquilo ele, sordidamente, compartilhou outro plano de ataque com o rei Balaque. Embora ele soubesse que não poderia amaldiçoar os israelitas, ele sabia como poderia fazer com que eles trouxessem sobre si mesmos esta maldição através da desobediência.

Com este entendimento da relação espiritual entre rebelião e feitiçaria, Balaão sugeriu ao rei que mandasse mulheres moabitas para que elas se infiltrassem no acampamento de Israel. Ele fez com que elas levassem ídolos e induzissem os homens de Israel para que tivessem relações sexuais com elas, e assim se rebelassem contra os estatutos de Deus. Ele sabia que a rebelião traria sobre eles uma maldição de feitiçaria.

Sabemos que isto aconteceu porque Moisés e Jesus fizeram menção do fato. Vejamos Nm 31.16; Ap 2.14. Não conseguindo amaldiçoá-los, conseguiu fazer com que se prostituíssem e comessem comidas sacrificadas a ídolos. Juntando-se Israel a Baal-Peor, a ira do Senhor se acendeu contra eles. Como resultado, uma praga severa atingiu e dominou o povo de Israel.

A desobediência fez com que esta nação, que não podia ser amaldiçoada ficasse sob a maldição de uma praga: “os que morreram da praga foram vinte e quatro mil”, Nm 25.9. Esta foi a pior experiência de perda de vidas que Israel viveu no deserto e tudo como resultado da desobediência do povo. Desobediência radical abre portas para pragas radicais. A rebelião era flagrante. Na verdade, a situação chegou a tal ponto que um israelita trouxe a seus irmãos uma mulher midianita perante os olhos de Moisés e da inteira congregação de Israel enquanto eles choravam diante do Senhor. Um dos homens tementes a Deus tomou da espada , matou o casal e somente assim a praga cessou.

O que fez cessar a praga? A obediência radical! Vejamos Nm 25.7-8. Deixe-me lembrar a você que Deus não é o autor das pragas e das doenças. O povo de Israel rebelou-se grandemente e violou a autoridade de Deus. Portanto, a proteção e a cobertura de Deus foram retiradas e o inimigo teve acesso legal com a permissão de Deus. A rebelião e a feitiçaria abrem portas para as ações de demônios. Israel escapou de um opressor e das maldições de um falso profeta, mas foi derrotado por sua própria desobediência à autoridade de Deus.

Temos visto no Velho Testamento exemplos de rebelião e feitiçaria ( além do caso de Balaão, já estudamos o Caso do Rei Saul). Mas no Novo Testamento o apóstolo Paulo escreve aos gálatas e os adverte contra a feitiçaria (a Versão Almeida e Atualizada não usa o termo enfeitiçou, mas a expressão “vos fascinou”) Mas a perversão do Evangelho que acontecia na Igreja da Galácia é chamada de anátema, ou seja, de maldição! Leiamos Gl 1.6-9; Gl 3.1 Paulo estava dizendo que se a Igreja continuasse a abraçar um evangelho deturpado ela corria o risco de estar em rebelião portando sob a ação da feitiçaria que é rebelião. Nenhuma maldição pode ser lançada contra os obedientes, mas a desobediência abre portas para as ações malignas.

O feitiço envolve a desobediência à Palavra de Deus e não os encantamentos e magias que bruxos e esotéricos fazem hoje. A rebelião é feitiçaria. A Igreja da Galácia estava sob maldição por causa da desobediência. Isto acontece quando não obedecemos ao que Deus nos deixa claro como ordem ou mandamento, quando desobedecemos algo que não nos foi revelado ou ensinado. Isto fica claro quando Paulo afirma que Jesus Cristo fora revelado aos gálatas como crucificado.

OS PROBLEMAS GERADOS PELA DESOBEDIÊNCIA HOJE

Eu tenho conhecido, ao longo do meu ministério, muitas pessoas desobedientes (inclusive muitos pastores e obreiros) vivendo sob rebelião nas igrejas, famílias e nos seus relacionamentos. Tenho conhecido também muitas pessoas que frequentam igrejas, mas que, por uma razão ou outra, vivem quase que em constante estado de desobediência, A maioria não consegue perceber quão terrível isto é, porque estão anestesiados por um ensino errado que os enfeitiçou e que diminui a importância da obediência como doutrina bíblica. Sem obediência não existe fé. Uma crise segue outra em suas vidas, sempre existe um problema ou pecado sobre o qual elas simplesmente não conseguem obter vitória. Cada nova situação parece progressivamente pior. Estes problemas consomem seu tempo, energia e vida. A desobediência as fez vulneráveis. Estas pessoas frustradas freneticamente procuram alguém para culpar. Culpam os pastores, os pais, chefes, cônjuges, filhos, governo ou qualquer pessoa que não concorde com o seu proceder, com suas arrogantes pretensões. Essas pessoas contaminam os incautos. Vivem momentos de euforia, mas não experimentam a paz de Deus no coração.

Duas ações acontecem na vida dos desobedientes, A primeira é a ação do espírito de engano. As trevas cobrem o coração porque eles falharam em obedecer a Palavra de Deus. A segunda ação é a armadilha preparada por demônios que controlam a pessoa. Paulo instruiu acerca daqueles que se diziam cristãos, mas estavam em rebelião. Vejamos 2 Tm 2.25-26. O problema é que pessoas que estão cativas e enganadas culpam a outros para poder se esconder de sua própria desobediência e ao fazerem isso ficam cegos para a verdade. Deus os entrega à própria sorte.

Graças a Deus por Sua Palavra. Sua luz expõe o engano e discerne os pensamentos das intenções do coração dos homens. Infelizmente quando é afligida por causa da desobediência, a maioria das pessoas se recusa a aprender, elas continuam no deserto da desobediência culpando a todos ao invés de aprender com os erros dos seus caminhos. Como afirmou certo famoso pregador do evangelho “ são almas errantes sem domicílio espiritual”Que a história de Balaão seja um exemplo para todos os líderes e profetas da Igreja , para que sejamos sempre obedientes a Deus e prontos para fazermos a Sua Vontade.

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